Mo'ynaq: Ruinas de um ecocídio que se transformol em um cemiterio de navios no deserto!


 Você deve está se perguntando que tipo de catástrofe poderia ter causado tal êxodo a ponto de deixar uma metrópole como cenário de filme pós-apocalíptico. A cidade em questão e Mo'ynaq no Uzbequistão.

Welcome in Moynaq

Ela ainda recebe muitos visitantes que não passam mais do que algumas horas no local. Mas a pergunta que não quer calar é: o que aconteceu afinal?


 No final dos anos 50, a antiga União Soviética planejou incrementar a sua produção agrícola nas repúblicas do Uzbequistão e Cazaquistão, transformando as áridas estepes da Ásia Central em férteis campos  de algodão, visando exportação.



Para isto, fez uma pergunta que mostrou-se desastrosa: "O que traz mais benefícios econômicos, desviar os dois principais rios que desaguam na Mar de Aral para irrigação de plantações de algodão ou a atividade pesqueira e de lazer em suas margens ?"



A resposta dos tecnocratas do Planejamento Central foi que o metro cúbico de água desviado para a cultura de algodão seria mais rentável do que o metro cúbico de água despejado no Mar de Aral, mesmo que este desvio causasse a diminuição drástica daquele que na época era o quarto maior mar interior do planeta, com uma área de 68.000 km2, comparável ao tamanho do Uruguai. 

Foto via Satélite do Mar de Aral registrada pela NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço em português) em 1977.

E foi com estes cálculos em mãos que começou um grande projeto de desvio das águas dos rios Amu Darya e Syr Darya para irrigar as plantações uzbeques e cazaques. A princípio o projeto foi muito bem sucedido, e o Uzbequistão multiplicou sua produção agrícola, tornando-se rapidamente o terceiro maior produtor mundial de algodão.


Porém, a ampliação de canais foi feita de forma indevida, permitindo grande evaporação e vazamentos, causando o primeiro ECOCÍDIO consciente da história.

O que os tecnocratas (
funcionário do governo que analisa os problemas levando em conta apenas a questão técnica, sem considerar outros aspectos) de Moscou previram foi que o Aral diminuiria progressivamente de tamanho, mas sem causar grandes danos climáticos ou à população. O tempo mostrou que eles não poderiam estar mais errados.



 O que antes era o leito do mar transformou-se em um grande deserto de sal com altíssima concentração de pesticidas, que causam  vários tipos de problemas para a população que vive na região, e a pouca água que resta tem concentrações impensáveis de Sal.  Apenas uma das 24 espécies de peixes que viviam em suas águas pode ser raramente encontrada, e das 173 espécies animais de suas margens restam apenas 38.

Mas onde Mo'ynaq se encaixa nisso? 

Bem a cidade era o único porto do pais, já que o Uzbequistão não tem mais nenhum litoral.  A cidade que tinha uma população de dezenas de milhares de pessoas, tinha confiado à pesca para manter sua economia. Ela tinha se desenvolvido como um importante centro de pesca e de conservas, a fábrica de conservas ainda está lá, as suas portas bem fechadas. Os únicos pescadores da cidade agora estão em cartazes não navios.


Hoje os danos são tão grandes que não há mais esperanças para o Mar de Aral. Basta comparar as fotos de satélites tiradas ao longo das últimas décadas para ter um idéia do avanço da desertificação do Mar de onde eram tiradas mais de 48.000 toneladas anuais de pescado, e que desde 1982 é inexistente.

Sequencias de fotos que mostram e evolução da catástrofe no Mar de Aral. (clique na imagem para amplia-la)

Que esta tragédia sirva de lição para os países que continuam buscando o desenvolvimento econômico sem pensar nos danos ao meio ambiente, como a China, Índia, Brasil e alguns países africanos.  

No fim, a natureza sempre cobra suas dívidas com juros!

Fontes: Wikipedia, Kuriositas e NASA


Unknown

Colaborador do AAV. Tem uma grande paixão pelo blog mas vive não conseguindo deixar os posts em dia!

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